Milena Brandão e Orisa Gomes

Apesar das últimas pesquisas políticas apontarem vitória do governador Rui Costa no primeiro turno, na corrida ao Palácio de Ondina, o pré-candidato do Democratas, José Ronaldo, afirma estar certo da sua vitória. Em entrevista exclusiva ao Acorda Cidade, além de avaliar os números, ele fala sobre as andanças pela Bahia, aponta questões que podem favorecer seu crescimento, a exemplo da influência de ACM Neto e das candidaturas à presidência da República e diz que a força de Jair Bolsonaro não pode ser negada. Confira na íntegra.

Acorda Cidade – Em relação a campanha, como está? 

José Ronaldo – Está indo bem, campanha é ruim quando você não tem espaço para visitar, quando você não tem pessoas que te convidem, cidades para te receber e depois do anúncio da candidatura o que mais está tendo é convite para a gente viajar pela Bahia, visitar todas as regiões do estado. Isso demonstra confiança e desejo de mudança. Essas pessoas têm desejo de mudança, entendem que meu nome é a mudança e me convidam. Já visitamos 42 cidades baianas. Atendemos também em Salvador, na sede do partido, realizamos quatro encontros em Salvador, dois no Centro Cultural da Câmara, um realizado pelo PTC, partido que me deu apoio, e um com o deputado Alan Sanches e o vereador Duda Sanches. Sexta-feira passada recebemos o apoio do PSDB. (…) A campanha tem muito apoio. Muitos municípios têm me procurado espontaneamente. Estou dialogando muito com as pessoas e a receptividade tem sido muito grande. Acredito muito no crescimento dessa candidatura. Tenho muita esperança e tudo que a gente tem feito e apurado mostra que o caminho está aberto para crescer. Muita gente não me conhece e nem sabe que eu sou candidato.

AC – O senhor acha que dá tempo de colocar seu nome em toda Bahia, em quatro meses de campanha?

JR – Sim, porque muita gente não está nem ai pra política. A classe política, o vereador, o prefeito, o ex-prefeito, os líderes políticos estão antenados, mas o povo ainda está afastado e só vai respirar política depois da Copa do Mundo. Isso acontece todos os anos de eleição.

AC – Em relação as pesquisas que apontam Rui Costa na frente. Qual é a avaliação do senhor sobre esses últimos números divulgados?

JR – Veja bem, não dá apenas para olhar esses números frios. Essas pesquisas trazem outras informações dentro do processo que são extremamente importantes. Por exemplo, foi perguntado se o prefeito de Salvador tem influência nesse processo eleitoral e 41% do povo disse que sim, que a decisão dele influencia na decisão do voto da pessoa. É um número expressivo. Foi perguntando também ao eleitor se ele sabe quem é o candidato apoiado pelo prefeito de Salvador e, para você ver o nível de desinformação, 12% disse que acha que o candidato que ACM apoia é Rui Costa, 9% disse que acha que é João Henrique e 17% acha que é José Ronaldo. Ou seja: há uma desinformação total ainda, porque o que aconteceu até agora foram atos de reuniões, como eu estive em Barreiras sábado o dia todo, participei de atos e inaugurações com prefeito Zito (Barbosa) e a noite ele reuniu vereadores, líderes, secretários e me apresentou como candidato com o apoio dele e ai nós falamos em política. Aquelas pessoas que estão lá sabem que eu sou candidato. Um grande percentual de pessoas ainda não sabe em quem votar. A partir de 20 de julho, a campanha começa a pegar fogo, porque tem as convenções partidárias que dão muita visibilidade. Tem horário político em todos os canais de televisão, mostrando todas as realizações do candidato. Tem as redes sociais. Evidentemente, o cidadão vai ter acesso às informações. Outra coisa que ninguém sabe direito. Quem é o seu candidato a Presidência da República? Ninguém sabe. Você tem um Bolsonaro, que é o mais citado hoje. Uma pessoa que nunca está abaixo de 20%, sempre acima. É muito bem citado. Saindo dele, você tem pessoas que tem 5%, 6%, 7% e o que é que vai acontecer com essas pessoas durante campanha? Bom, historicamente, a eleição estadual sempre esteve atrelada a eleição presidencial. O Lula não é candidato, então o PT vai se virar com quem? De que maneira vai fazer essa campanha? Ninguém sabe. Pode ter especulação, mas a candidatura em si ninguém tem. Nós temos um outro candidato que é de um partido coligado que é Alckmin, com quem conversamos semana passada. Ele acha inclusive que vai ter o apoio de cinco ou seis partidos, se ele conseguir esse apoio, ele terá um horário de televisão fortíssimo, o que pode dar espaço para ele crescer dentro do processo político. Mas será que ele vai ter esses partidos mesmo? Não vai? Tudo isso ainda são perguntas. Quem vai ser realmente um candidato a presidente da república que vai cair nas graças do povo? Até agora só teve um, de 20%, que foi o Bolsonaro. Mas se ele ficar só com o partido dele, será que ele vai conseguir? Os militantes confiam que o horário dele será suficiente para que o povo se interesse pela candidatura dele. Nós estamos ainda num processo muito indefinido. Eu acredito que a sucessão presidencial continue interferindo na sucessão estadual para governador. Eu estou num processo de estudos e pesquisas para fazer isso. Quanto as pesquisas, é um momento. E no momento eu ainda sou pouco conhecido no extremo sul da Bahia, por exemplo. Estamos trabalhando com a militância política. Campanha, campanha, só quando abrir rádio e TV, que o povo vai ficar sabendo e vai definir as suas preferências políticas. Essa diferença aconteceu em 2006, na campanha Jaques Wagner e Paulo Souto, aconteceu na campanha do Rui contra o Paulo Souto, a primeira pesquisa do Rui ele teve 4%, 5% eu estou tendo 9,5%, 4% a mais. Estou com o pé na estrada, andando pela Bahia toda, com muita confiança e esperança em uma vitória.

AC – O professor Levi Vasconcelos, do jornal A Tarde, fez uma avaliação que diz que o seguinte: “Os aliados de José Ronaldo, adversário principal de Rui, avaliam que em 2018 pode ser repetir o que houve em 2006, quando Wagner, que era ministro e passava a maior parte do tempo em Brasília, derrotou, surpreendentemente, no primeiro turno Paulo Souto, então governador também bem avaliado. A diferença, segundo professor Levi, é que Wagner tinha Lula no auge pedindo votos diretos pra ele numa campanha de 60 dias. Hoje, a campanha é de 45 e, segundo o professor Levi, Ronaldo não tem ninguém”. É assim o quadro?

JR – Não, claro que Levi está errado. Essa questão de ter ou não Lula, eles também não tem Lula mais. Ninguém tem ninguém. Levi é um bom analista, mas nessa análise ele está falhando dentro desse processo. Eu tenho um aval muito importante, eu tenho o prefeito ACM Neto que é muito bem avaliado em Salvador e que a pesquisa (Instituto Paraná) mostra que 40% vão ouvi-lo na decisão do voto, que entende que a avaliação dele é importante para o processo político. Quanto a campanha de 45 dias, consigo reverter. A sucessão de presidente e governador é totalmente diferente de deputado estadual e deputado federal. Evidentemente, durante campanha você vai mostrar muitas coisas que o governo disse que vai fazer ou que está pronto e não existe. Na campanha eleitoral você vai poder mostrar isso. Vou te dizer com a pureza da alma: eu estou extremamente confiante que ganharemos esta eleição.

AC – O senhor tem essa convicção é?

JR – Tenho sim, porque eu estou ouvindo as pessoas se manifestando, dizendo que não votam no PT. O governador vive escondendo que é do PT, mas na campanha ele não vai esconder isso. Vai ser mostrado. O povo vai decidir. As últimas eleições foram assim, essa não vai ser diferente.

AC – O senhor é simpático a Jair Bolsonaro?

JR – Não. A questão não é essa. Eu acho que ele é um cidadão que es
tá lutando bravamente levando suas ideias e propostas. Eu posso até discordar, mas ele tem o direito de levar. Ninguém pode impedir. Só não tem direito ai o Lula, isso todo mundo sabe. Acho que jogar para a sociedade, dizendo que o Lula é candidato – nada contra ele –, é querer enganar o eleitor. São pessoas que, evidentemente, estão com medo de perder a eleição e querem usar o cacife e a parte sentimental/emocional do ex-presidente Lula para tentar tirar dividendos políticos. Veja, você disse ai 43%, o ídolo, o comandante do PT, Lula tem. Sabe quando Lula tinha há quatro anos? 75%. Ou seja, agora tem metade. Sabe por que isso? Porque o povo já entendeu que ele não pode ser candidato. Não adianta governador, aliado falar que Lula é candidato só para mexer no sentimento humano, explorar a questão humana do Lula para ganhar votos. Isso tudo no período eleitoral é dito com total clareza e o povo entende que estão explorando o nome dele. Na Bahia, Bolsonaro tem 16%, em Minas eu vi que ele tem 27%, no Rio de Janeiro tem mais de 32%, em são Paulo mais de 30%, então são números altos. Eu só estou comentando o momento político, ninguém pode menosprezar. Meu momento político é esse, mas é o momento que eu acredito que vou crescer e vou crescer junto, como o candidato do presidente da República, que vai estar dentro do cenário mas sem ligação com o PT.

AC – Está faltando o que para o senhor fechar a chapa? O senhor candidato ao governo, Jutahy sendo anunciado para a primeira vaga no Senado, está faltando o vice e mais um senador.

JR – Veja bem, nós temos algumas situações. Por exemplo, é obrigatório ter uma mulher na chapa? Sim ou não? Há uma interrogação e isso precisa ser esclarecido.

AC – Se for mulher, qual é o nome?

JR- Não sei. Não tenho. Tenho mas não tenho. Não posso falar. Não posso antecipar essas coisas. Nós temos bons nomes. Nós temos bons nomes para o senado, para vice-governador. Então, vamos sem pressa, sem agonia. Vamos aguardar uma resposta, uma decisão que foi tomada para a Assembleia Legislativa e para a Câmara Federal de 30% de mulheres se isso é obrigado na chapa majoritária ou não. Enquanto não tirarmos essa dúvida, estamos na espera.

AC – O Irmão Lázaro (PSC) está forçando a barra querendo ser o segundo nome na sua chapa. Vocês já tiveram esse encontro? Pode ser ele?

JR – Sim, já conversamos. Veja bem, essa questão de chapa majoritária não passa por uma decisão exclusiva minha. Claro que eu opino, digo as minhas ideias, meus pensamentos, mas não faço isso sozinho. Eu escuto os deputados estaduais, federais, prefeitos, pessoas na rua. É uma questão de logística de partidos políticos.

AC – O senhor já começou a elaborar um plano de governo?

JR – Nós temos uma equipe que já começou a trabalhar nesta área.

AC – Como é que o senhor avalia esse cenário político estadual e nacional diante da greve dos caminhoneiros?

JR – Eu acho que foi um grande prejuízo a nação brasileira. Acho que faltou tanto a nível federal, quanto estadual mais capacidade. Acho que menosprezaram o movimento, ignoraram nos primeiros dias e quando viram que realmente era algo forte, substancial, o prejuízo já tinha acontecido e as ações já estavam planejadas. E é claro que num movimento como esse aparecem oportunistas partidários querendo pongar nesse processo. Ele não foi feito por partidos políticos, foi feito pelos próprios caminhoneiros, principalmente os autônomos, que estão sofrendo com o preço altíssimo do diesel e com o imposto que foi criado pelo atual governador da Bahia que aumentou e tornou o ICMS da Bahia no mais caro do Brasil. Então, não houve sensibilidade. Depois que o governo do Estado viu o absurdo que cometeu nesses aumentos desenfreados no ICMS, tentou consertar, mas quanto mais se metia, mais se atrapalhava. Houve erros no governo central, em Brasília e houve erros no governo estadual na condução desse processo. Faltou habilidade, tanto na presidência da república, quanto no governo estadual.

AC – Se o senhor for eleito, o senhor reduz o ICMS?

JR – Primeiro, eu não conheço a situação financeira do estado totalmente. Estou estudando isso com dois professores especialistas analisando o orçamento do estado da Bahia e, até agora, as informações que chegaram pra mim são drásticas, é grave a situação do estado. Vou dar um exemplo prático. Eu acompanhei na Bahia e vi várias obras paradas que tinham sido iniciadas há quatro anos e que tinha feito convênio com prefeitura, pelo ex-governador Jaques Wagner, para ganhar votos para o atual governador. Essas obras ficaram paradas. Eu fui nessas cidades, fui em Mairi, por exemplo, e filmei a obra parada, coloquei nas redes sociais e 15 dias o governador foi lá e mandou reiniciar as obras. Essa é apenas uma em dezenas de obras que existem na Bahia. Então, eu quero dizer que todos os dados que chegaram a minha mão são muito graves. O orçamento do Estado esse ano já entrou com déficit de mais de 350 milhões de reais. A manutenção da Fonte Nova consome milhões do Estado anualmente. Isso é um valor crescente. Mas não estou querendo antecipar esse debate que vai ter no período eleitoral.

AC – Essa vai ser a sua linha de combate?

JR – Não. Campanha é feita para mostrar o povo o que a gente quer, o que a gente deseja mas nós não podemos deixar de mostrar uma Bahia de inúmeras promessas não realizadas, à exemplo do novo hospital de Feira de Santana. E não é só em Feira, por exemplo, em Ilhéus foi construído um hospital novo e foi fechado o existente. Construiu um hospital e fechou um antigo. É como vir em Feira de Santana fazer uma hospital novo e fechar o que o HGCA. Foi o que aconteceu em Ilhéus. O povo está revoltado. É ir à Ilhéus, dar uma ordem de serviço, gravar um vídeo e falar que vai construir a estrada Ilhéus x Itabuna, se não tiver dinheiro federal, faço com o do estado. Isso foi há nove meses e até hoje não foi colocada uma pedra no local. É anunciar a inauguração de uma ponte que não aconteceu. É anunciar a água do Rio Colônia, fazer a barragem mas não construir a adutora. É ir à Barreiras, onde é anunciando há 12 anos a implantação da oncologia no hospital de Barreiras e ir novamente, semana passada, anunciar a mesma coisa. Enfim, uma série de promessas que não é cumprida. Fonte acorda cidade.