Inaugurado em 9 de janeiro de 2017, o Hospital Regional da Mulher Maria Luzia Costa dos Santos (HM) teve investimento de R$ 40 milhões de reais e foi projetado para ser a maior unidade médica especializada em saúde feminina do Norte-nordeste e o segundo maior do país. Com 136 leitos, sendo 97 destinados à internação, 10 para terapia intensiva (UTI) e 29 leitos para hospital-dia, o local prometia realizar até 9 mil consultas por dia e mil cirurgias por mês. O nome foi uma homenagem a mãe do governador Rui Costa, Maria Luzia Costa dos Santos, que faleceu em decorrência de um câncer de mama.

O HM se tornou  referência no estado da Bahia e realiza procedimentos médicos na área de mastologia, ginecologia, oncologia, cirurgia geral, urologia e cirurgia vascular. Durante 2017, a unidade teve 73.216 atendimentos ambulatoriais, 15.030 de mastologia e 23.098 de ginecologia, segundo dados da assessoria de comunicação. Um ano após sua inauguração, o SITE procurou saber se o hospital tem atingido as metas propostas inicialmente e quais as melhorias ainda a conquistar.

HOSPITAL DA MULHER: Um ano depois, avaliamos o serviço e estrutura da unida médica
Hospital foi inaugurado há um ano.

ATENDIMENTO

Como atende a demanda de mulheres que residem na capital e no interior do estado, o Hospital da Mulher realiza cerca de 9 mil atendimentos diários. Sendo assim, é comum ver todas as cadeiras ocupadas e salas cheias. No entanto, apesar do tempo de espera que as mulheres enfrentam, o diretor-geral do local, Marco Antônio Andrade, faz um balanço positivo.

“Nós ficamos muito satisfeitos de, depois de um ano, estarmos diante de números tão significativos. Fizemos mais de 70 mil consultas e aproximadamente 9 mil cirurgias. Não é qualquer hospital que faz isso. O que pretendemos agora é qualificar ainda mais o atendimento, em parceria com o Hospital de Barretos, com a implantação da residência já em 2018, e a formalização da qualidade, com o objetivo de garantir os processos dentro de padrões internacionais”, diz ele.

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Marco Antônio Andrade é diretor-geral do hospital desde sua inauguração.

Para conseguir atendimento, as consultas devem ser marcadas pela Central Estadual de Regulação, e dependendo da demanda de cada especialidade, existe um tempo de espera, que pode chegar a até dois meses. Mulheres que residem no interior são encaminhadas por unidades de saúde de seus respectivos municípios, pelo sistema Lista Única. De acordo com Marco, o Hospital da Mulher já recebeu pacientes de 401 cidades da Bahia, ou seja, atendeu 96% da demanda. Do total, 61% dos atendimentos foram realizados com mulheres do interior, e 39% com residentes em Salvador.

É o caso de Ivoneide de Souza, 36 anos, natural de Pernambuco, mas que mora atualmente em Itiúba, que fica a cerca de 400 km da capital. Ela procurou o Hospital da Mulher após ser encaminhada por um ginecologista. No HM, descobriu que tem endometriose profunda, depois de realizar alguns exames. “Uma das fases dessa doença é a infertilidade, que acontece em quase todos os casos. Daí, essa ginecologista me encaminhou para o setor de reprodução humana, e eu estou aqui para isso”, diz ela.

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Ivoneide de Souza é uma das pacientes do setor de reprodução humana.

O hospital também atua com o tratamento de reprodução, na tentativa de ajudar mulheres que passam por situações parecidas. “Eu espero que eu consiga engravidar, esse é o objetivo. Provavelmente vou precisar fazer uma cirurgia, pra retirada dos focos da endometriose, mas eu espero que não seja total, que seja apenas parcial”, finaliza a paciente, que ressalta ainda que ficou “encantada” com o hospital. “O serviço é excelente. No meu caso, me direcionaram exatamente para a ginecologista especialista em endometriose, ou seja, a gente não fica rodando e eu acho isso maravilhoso”.

CÂNCER DE MAMA

Inicialmente, uma das propostas mais importantes do HM seria dar atendimento especial às mulheres com câncer de mama. Por isso, aquelas com suspeita de tumor maligno são submetidas à biópsia no mesmo dia – não enfrentam filas, diferente daquelas que procuram atendimento por conta de outras patologias. De acordo com o diretor-geral, essa é uma demanda que tem sido cumprida. Além disso, a unidade também oferece a cirurgia de reconstrução de mama, um procedimento importante e gratuito, já que todas as pacientes são encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Em 2017, já chegamos a 450 cirurgias de reconstrução da mama”, conta Marco. “São cirurgias que não eram realizadas no estado. Elas são feitas após a mastectomia, que é a retirada de nódulos, e temos feito também a reconstrução primária, que é feita no mesmo tempo cirúrgico que se retira o nódulo, que também é algo inédito na Bahia e no Nordeste”, completa. Neste um ano de funcionamento do hospital, já foram realizadas   5.000 mamografias.

O Hospital da Mulher também ampliou o atendimento para diagnóstico do câncer de mama, disponibilizando unidades móveis, que são utilizadas para  realizar o programa de rastreamento do câncer de mama e colo de útero. As carretas são distribuídas em algumas cidades do interior do estado, onde são feitos exames preventivos e mamografia. De acordo com os resultados, as mulheres podem ser encaminhadas para a unidade em Salvador. São realizados 3.200 preventivos e 1.400 mamografias mensalmente.

Rosângela dos Santos Costa, 49 anos, moradora do bairro Novo Horizonte, em Salvador, ficou sabendo dos atend
imentos feitos no HM através de uma feira da mulher, realizada em março do ano passado. “Eu precisava do atendimento, e aí quando cheguei, tinham muitas mulheres. Pegaram meu nome, eu não consegui atendimento para algumas coisas, mas depois de 15 dias me ligaram dizendo que tinham conseguido a consulta com o mastologista. Era o médico que eu estava precisando, por que apareceu um cisto na minha mama. Aqui eu fiz todos os exames, até HIV, que nunca tinha feito”, conta ela.

A paciente, no entanto, revela que o tempo de espera é um pouco longo. “Demora um pouco, mas a gente vê que a demanda é muito grande, é muita gente doente. Mas, pelo menos já estou aqui dentro. As vezes marca a consulta pra as 11h, a gente chega aqui e é atendido bem mais tarde, por que aqui fica cheio. É questão de ter paciência, por que mesmo com  a demora, a ‘gente‘ é atendida.”, conclui Rosângela.

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Rosângela dos Santos Costa faz tratamento desde março do ano passado.