Mãe Stella de Oxóssi: Ialorixá mais influente da Bahia morre aos 93 anos

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Hospitalizada desde o início de dezembro, líder religiosa não resiste a infecção e falece em hospital em Santo Antônio de Jesus.

 

Por volta das 16 horas desta quinta-feira (27), morreu Maria Stella de Azevedo Santos, mais conhecida como Mãe Stella de Oxóssi. A ialorixá, que comandou o Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, no bairro de São Gonçalo do Retiro, em Salvador por mais de 40 anos, estava internada desde o dia 14 de dezembro, e não resistiu a um quadro de infecção. A informação foi confirmada por sua filha e pela unidade de saúde em que estava internada, o Hospital Incar, em Santo Antônio de Jesus.

Após dar entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, a ialorixá chegou a ser transferida para o quarto, mas retornou quando apresentou piora no quadro de saúde. Segundo o último boletim, no entanto, seu quadro era estável – o que surpreendeu sua companheira, a psicóloga e escritora Graziela Domini Peixoto, com quem vivia na cidade de Nazaré, no Recôncavo baiano, desde que deixou o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, no bairro de São Gonçalo do Retiro, em Salvador.

Com a idade avançada, sua saúde estava debilitada há pelo menos dois anos, desde que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e perdeu parte da visão, além de passar a se locomover com a ajuda de uma cadeira de rodas. Desde 2016 já não participava de cultos e festividades do terreiro que costumava comandar.

Familiares e amigos da candomblecista já aguardam no hospital. Ainda não há informações sobre o sepultamento ou enterro.

Enfermeira de formação, Mãe Stella foi estudiosa e divulgadora da crença religiosa africana e primeira ialorixá no Brasil a escrever livros e artigos sobre o Candomblé. Em 2013, foi eleita por unanimidade para ocupar a 33ª cadeira da Academia de Letras da Bahia (ALB), cujo patrono é o poeta Castro Alves.

A sacerdotisa, que é uma referência no combate à intolerância religiosa e ao racismo chegou a lançar, em maio do ano passado, quando completou 92 anos, um aplicativo com orientações e reflexões relacionadas ao candomblé, disponível para dispositivos com sistema operacional Android. A ideia era propagar os ensinamentos desenvolvidos por ela, que esteve à frente do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá de 1976 até o ano passado, quando se mudou para Nazaré das Farinhas com a companheira, mesmo sob fortes protestos dos familiares e demais filhos de santo (relembre), que cumularam inclusive em disputa judicial.

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