A criança de 10 anos, que engravidou vítima de um estupro, conseguiu expelir o feto espontaneamente nesta segunda-feira (17/8), após a indução iniciada pela equipe médica do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, ligado à Universidade de Pernambuco, no Recife.

A coordenadora de enfermagem do Cisam, Benita Spinelli disse que a criança está acompanhada da avó e de uma assistente social que veio do Espírito Santo, e passou uma avaliação multiprofissional que deve analisar a necessidade de retirar os últimos vestígios do feto por meio de uma curetagem.

“Quando ocorre a indução do aborto pela medicação, às vezes não sai completo; se isso ocorrer, ela deve ser submetida à curetagem ainda hoje. Se tudo seguir bem, ela deve ter alta amanhã”, afirmou Spinelli ao Portal Uol. A garota passou pelo procedimento no Recife após o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, em Vitória, se negar a realizar o aborto, mesmo com autorização judicial.

Spinelli conta que o processo de aborto demora horas e que tudo está correndo como esperado. “Para se fazer esse procedimento, existe uma sequência. Assim que ela chegou, foi feita a indução, mas isso leva algumas umas horas. Ela já expulsou, na verdade, e agora está sendo atendida por essa equipe multiprofissional.”

Sobre protestos realizados por um grupo na noite de domingo (16/8) contra o aborto, na porta da unidade, ela classificou como “balbúrdia” e disse que a equipe tentou blindar para não ouvirem o que era dito do lado de fora da instituição.

“Uma coisa completamente contraditória; pessoas fazendo esse tipo de atividade na porta de um hospital, que é um local que requer silêncio, tranquilidade, ainda mais por ser uma criança de 10 anos, que há quatro anos era estuprada, que teve de sair para outro estado para ter seu direito garantido”, disse a coordenadora.

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